Descubra como a agricultura brasileira se distribui pelo território, com destaque para o Sudeste, o café, a cana-de-açúcar e os impactos históricos, econômicos e ambientais.
Antes de tudo, compreender a agricultura brasileira e sua distribuição regional é essencial para quem estuda Geografia, presta vestibulares ou deseja entender melhor a dinâmica econômica do país. Afinal, o Brasil possui enorme diversidade climática, de solos e de relevo, fatores que explicam por que cada região se especializou em determinados cultivos ao longo da história.
Nesse sentido, este artigo analisa a distribuição agrícola do Brasil, com foco especial na Região Sudeste, destacando os principais produtos, os fatores históricos e as transformações econômicas que moldaram o atual cenário agrícola nacional
Aprenda Mais
No final do artigo, estará disponibilizado um vídeo muito didático que explica de forma clara a Agricultura Brasileira. Sugerimos assistir para ficar antenado com os conteúdos que caem no ENEM e nos vestibulares.
A importância do Sudeste na agricultura brasileira
Em primeiro lugar, é fundamental destacar que o Sudeste é a região de maior produtividade agrícola do Brasil. Isso ocorre não apenas por suas condições naturais, mas também pelo elevado nível de capitalização, uso intensivo de tecnologia, maquinário moderno, fertilizantes e infraestrutura logística.
Além disso, por ser a região economicamente mais rica do país, o Sudeste concentrou investimentos que aumentaram significativamente sua produtividade ao longo do tempo.
O café e a formação econômica de São Paulo
Historicamente, quando se pensa em agricultura paulista, o café surge como principal referência. E isso não é por acaso. Embora hoje São Paulo não seja o maior produtor, o café foi decisivo para a construção da economia paulista.
Inicialmente, o cultivo do café começou no Vale do Paraíba, região localizada entre o litoral norte de São Paulo e o sul do Rio de Janeiro. Durante o Segundo Reinado, especialmente no governo de Dom Pedro II, o café se consolidou como o principal produto de exportação do Brasil.
Consequentemente, a elite cafeeira acumulou grandes volumes de capital. Esse dinheiro foi investido em ferrovias, infraestrutura de transporte, comunicação e no fortalecimento do mercado consumidor interno, criando as bases para a futura industrialização.

A migração do café para o Oeste Paulista
Com o passar do tempo, entretanto, o café deixou o Vale do Paraíba. Isso aconteceu porque a região apresentava relevo íngreme, conhecido como “mares de morros”, altamente suscetível à erosão e ao desgaste do solo.
Assim, no início do século XX, a cafeicultura migrou para o Oeste Paulista, região caracterizada por relevo plano e pela presença de um dos solos mais férteis do Brasil: a famosa terra roxa, tecnicamente chamada de nitossolo.
Esse solo se formou a partir de derramamentos basálticos ocorridos há milhões de anos, o que explica sua elevada fertilidade. Como resultado, o Oeste Paulista tornou-se o novo centro da produção cafeeira.
O café como base da industrialização paulista
Além de impulsionar a agricultura, o café teve um papel estratégico na industrialização de São Paulo. Foi justamente essa infraestrutura prévia — ferrovias, capital acumulado e mercado consumidor — que levou Getúlio Vargas a concentrar o processo industrial no Sudeste, especialmente em São Paulo.
Mesmo com tensões políticas, como a Revolução Constitucionalista de 1932, Vargas compreendia que São Paulo reunia todas as condições necessárias para liderar o desenvolvimento industrial do país.
O declínio do café e a ascensão da cana-de-açúcar
Posteriormente, a importância do café começou a diminuir, sobretudo após a Crise de 1929, que afetou o mercado internacional. A partir da década de 1970, grande parte das áreas cafeeiras do Oeste Paulista foi substituída pela cana-de-açúcar.
Atualmente, embora ainda existam áreas produtoras de café em São Paulo, como em Ribeirão Preto, o estado deixou de ser protagonista nesse cultivo. Hoje, os maiores produtores de café do Brasil são Minas Gerais e Espírito Santo.
A crise do petróleo e o Programa Proálcool
Nesse contexto, a Crise do Petróleo de 1973 marcou uma virada decisiva na agricultura paulista. Com o aumento abrupto do preço do petróleo, o governo brasileiro criou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool).
Por meio de subsídios, incentivos fiscais e financiamento, o governo estimulou agricultores a substituir outras culturas pela cana-de-açúcar, com o objetivo de produzir etanol como alternativa energética.
Assim, a cana-de-açúcar se consolidou como o principal cultivo do Oeste Paulista, transformando São Paulo no maior produtor nacional.
Etanol, sustentabilidade e contradições sociais
Do ponto de vista ambiental, o etanol é considerado menos poluente que os combustíveis fósseis, pois o CO₂ liberado em sua queima é compensado pelo CO₂ absorvido durante o crescimento da cana.
Por outro lado, essa expansão trouxe problemas sociais e ambientais, como:
- aumento da concentração fundiária;
- redução da agricultura familiar;
- maior uso de agrotóxicos;
- desgaste do solo e impactos sobre o lençol freático.
Portanto, o avanço da cana-de-açúcar envolve uma complexa discussão entre sustentabilidade ambiental e justiça social.
Tecnologia agrícola e aproveitamento do bagaço da cana
Atualmente, a canavicultura utiliza técnicas modernas, como o plantio direto, que protege o solo da erosão e aumenta sua fertilidade ao reutilizar o bagaço da cana como cobertura orgânica.
Além disso, muitas usinas utilizam esse bagaço para gerar energia elétrica, tornando-se praticamente autossuficientes em energia e reduzindo a dependência da rede elétrica nacional.
Outras produções agrícolas relevantes no Sudeste
Além da cana-de-açúcar, destacam-se no Sudeste, especialmente em São Paulo:
- Silvicultura (principalmente eucalipto, usado pela indústria de papel e celulose);
- Pecuária bovina de corte, com uso de tecnologia intensiva;
- Pecuária leiteira, próxima aos grandes centros urbanos;
- Laranja, com forte exportação para os Estados Unidos;
- Chá e banana, em áreas específicas.
Cabe ressaltar que a silvicultura do eucalipto, embora chamada de reflorestamento, é frequentemente criticada por reduzir a biodiversidade, sendo conhecida como o “deserto verde”.
O cinturão verde e o abastecimento urbano
Por fim, merece destaque o chamado cinturão verde, formado por municípios próximos às grandes metrópoles. Essas áreas produzem alimentos perecíveis, como frutas, legumes e hortaliças, destinados ao abastecimento diário das cidades.
No entorno da cidade de São Paulo, municípios como Mogi das Cruzes, Ibiúna, Piracicaba e Porto Feliz exercem papel fundamental nesse abastecimento, garantindo alimentos frescos e reduzindo perdas no transporte.
Em síntese, a agricultura brasileira reflete a combinação entre condições naturais, processos históricos e decisões políticas. O Sudeste, especialmente São Paulo, exemplifica como a agricultura pode transformar profundamente a economia, a infraestrutura e o espaço geográfico.
Compreender essa dinâmica é essencial não apenas para provas e vestibulares, mas também para entender os desafios econômicos, sociais e ambientais do Brasil contemporâneo.
Vídeo para completo
Referências
- IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Produção Agrícola Municipal.
- EMBRAPA. Solos do Brasil: características e manejo.
- FAUSTO, Boris. História do Brasil. Editora EDUSP.
- ABRAMOVAY, Ricardo. Agricultura, meio ambiente e desenvolvimento.
- Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA. Cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.

